Léo,
no momento agora sinto que não tenho dúvidas sobre nada do que será feito em nosso filme. As questões sobre como trataremos isso, atores dispostos a cair, em que gêneros encaixaremos, tudo isso de alguma forma eu já sentia como um assunto que merecia pouca abordagem (alguma sim, porque é o que usaremos quando alguém desconfiar do nosso próposito, o real). Até mesmo com tudo que você me colocou, serviu-me sobretudo como a resposta que eu procurava.
Estou mais disposto, não que eu não tivesse antes, mas você me conhece, conhece minha tendência de deixarem as coisas se afrouxarem, a tal falta de disciplina capricornina, minha autodestruição. Mas isso é um projeto que quero levar muito a sério, com rigor, respostas rápidas, enfim, não quero ficar me autoestimulando, porque isso vai deixar um pouco a minha situação frágil, o que não quero, porque penso que sou corajoso e penso que isso de fazer uma coisa como se fosse a última é o que vale.
Gostei mesmo de como "Através da Oliveiras" se desenvolveu. Quero dizer, da ideia do filme. Aproveitar as situações, os acasos, as condições de um acontecimento (por mais banal e sem graça que isso possa parecer) e autenticá-las, torná-las convictas (acho que entendo o que você diz sobre "Je Veux Regarden", "Uma ética da necessidade, uma estética da necessidade"). E fazer isso não é coisa de gênio. Não é contar com a sorte. Mais que comprometimento com o viver, há a urgência (não totalmente desespero) de constituir o que muitas vezes chamamos de real. Necessidade. O que me leva a acreditar que estamos no centro de uma órbita de acasos. Que toda a teoria eletromagnética deve ser usada para tudo o que nos envolve, não só para entender procedimentos de atração/repulsão. Então, sim, podemos conduzir energias a nosso favor.
Pedro Costa se garante!
Nada de indicações dessa vez.
Tiago M.
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